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Artigos

 

15/04/2004 - Artigos

Designers: De onde vêm? De que se alimentam?

Nunca o Brasil viveu uma euforia tão grande em relação ao design como nos últimos anos. Definitivamente saímos dos editoriais de arte, moda e cultura, para fazermos parte do vocabulário cotidiano dos colunistas de economia. Empresários, administradores, jornalistas, profissionais de comunicação, engenheiros de produção e até os políticos estão sedentos por informações sobre esta “nova ciência” que, por sinal, ainda não é ciência, mas que de nova não tem nada. Talvez no Brasil onde a bem conhecida desigualdade social também se reflete numa dicotomia empresarial: Informal X Multinacional, Artesanal X Industrial ou, trocando em miúdos, um Brasil sobrevive da arte popular enquanto outro, em nome da produtividade, pensa “para que inventar se podemos copiar lá de fora?” Nem certo, nem errado, estes dois Brasis são os ingredientes para tornar nossos produtos cada vez mais competitivos e nossa economia cada vez mais sólida. Nós, designers, somos os “alquimistas” que equacionam estes ingredientes para fazer da nossa arte e da nossa cultura produtos e empresas com alto valor agregado, e assim transformar o “marginal” em ouro.

Bem, daí vem a resposta para a nossa primeira pergunta: De onde vêm os designers? O design surgiu como atividade profissional exatamente no momento da mudança do Estado-Bélico para o Estado-Empresa na Alemanha do Pós-I Guerra. O entendimento de que o design era uma ferramenta fundamental para esta mudança resultou na criação da Bauhaus, em 1919, um marco no ensino do design no mundo todo. E o Brasil finalmente descobriu o design! Mesmo que tardio em relação a outros países, nós designers, estamos vivendo um momento histórico. Por um lado orgulhosos de vermos nossa atividade conquistando corações e mentes e finalmente ocupando seu devido lugar, por outro lado, preocupados com esta euforia. Explico: o problema da educação no Brasil logicamente também afeta o design, e diferente da Alemanha, aqui o design nasceu aos trancos e barrancos, através de profissionais de outras áreas que foram se “auto-aperfeiçoando” ao longo dos anos, com exceção de alguns raros casos de designers estrangeiros que moram no país ou brasileiros que estudaram no exterior. Esta deficiência começa a ser suprida inicialmente em pontos isolados como a Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro e, aqui no Rio Grande do Sul, o curso de Desenho Industrial da Universidade Federal de Santa Maria. Recentemente esta euforia também se percebe na enorme quantidade de universidades particulares que criaram ou estão criando cursos de graduação e especialização em design. Mas por serem recentes o que se percebe no mercado é uma maioria de autodidatas. O resultado disso é que há uma grande confusão no mercado sobre quem são os profissionais capacitados para atuação com design de produtos ou programação visual. A regulamentação da profissão poderia ser um caminho, mas parece que vai na contramão das leis do mercado e está cada vez mais distante de acontecer. A auto-regulamentação parece ser a solução mais viável, e aí se reforça a importância das associações profissionais como a Apdesign no Rio Grande do Sul e a ADG em São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto não se tem meios reguladores da nossa atividade, a chave para sabermos quem realmente é designer, está na resposta da segunda questão: De que os designers se alimentam? A resposta é simples: de projetos de design.

Por mais óbvio que possa parecer, este teste ajuda a resolver ou, pelo menos, diminuir o desafio de se buscar profissionais de design no mercado em tempos de euforia. É simples, se se alimenta de design é designer, mas se se alimenta de decoração, artes, propaganda ou qualquer outra atividade e faz (ou diz que faz) design nas horas vagas, este não é designer. Como bem disse Platão “Somos o que repetidamente fazemos, a excelência, portanto, é um hábito e não um feito”.

Autor: José Antônio Verdi

Diretor da Verdi Design e presidente da Associação dos Profissionais em Design do RS



 
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